domingo, 27 de novembro de 2016

Transformar pedras em pães, por que não?



Satanás aproveita as circunstâncias de fraqueza para lançar suas iscas venenosas. Jesus estava fraco fisicamente, passou 40 dias e 40 noites sem comer num deserto muito quente durante o dia e muito frio à noite. Isto prova sua real humanidade.

A primeira proposta sedutora de Satanás apresenta uma tentação que envolvia a satisfação de um desejo normal de qualquer ser humano, o de comer. Aparentemente, não haveria qualquer problema! Ora, Jesus já havia feito a sua tarefa de jejuar, agora nada mais justo do que comer!

‘‘Então, o tentador, aproximando-se, lhe disse: ‘‘Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães’’ (Mt 4.3).

Satanás não tinha dúvidas quanto à filiação de Jesus, ele a comprovou ao vê-lo ser batizado, porém, entendendo que realmente ali era o Filho de Deus, se propôs a conduzir o Filho a usar seu poder e direito de filiação para satisfazer suas próprias necessidades em detrimento da vontade de Deus. “Foi uma tentação para usar sua filiação de forma inconsistente com sua missão ordenada por Deus’’ (DA Carson). Jesus não possuía (nem possui) natureza pecaminosa, porém Satanás o atacou pelo viés da debilidade física.

Jesus citou Dt 8.3 em sua resposta esclarecendo o que Satanás queria com sua proposta: ‘‘Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus’’ (Mt 4.4). Satanás desejava que Jesus usasse o seu poder (por direito de filiação) para sua própria satisfação física, porém, a resposta de Jesus mostrou que sua satisfação não era arbitrária, mas, baseada única e exclusivamente na vontade do Pai.

Transformar pedras em pães naquele momento significaria não cumprir a vontade de Deus e agir ou viver egoisticamente, pensando apenas em si mesmo e não na glória do Pai. Seria desconfiar da provisão de Deus. Seria pensar: “Deus se esqueceu, realmente de mim, por isso tenho que agir.” Seria descumprir a sua própria missão! Satanás no final das contas queria que Jesus se tornasse um incrédulo em Deus e deixasse de viver na dependência do Espírito.

Esta não foi a última vez que Jesus ensinou que é melhor preferir a vontade do Pai ao invés de satisfação própria. Em Jo 4.34, enquanto que os discípulos foram atrás de comida, Jesus os ensinou que a sua comida (satisfação) consistia em fazer a vontade de Deus e realizar a sua obra. Tanto no deserto de Mateus como no de João, Jesus provou ao mundo que sua vontade estava alinhada completamente à vontade do Pai. Ele nos ensinou que vencer às tentações significava optar simplesmente pela vontade do Pai, nada menos, nada mais.

O que Satanás queria é que Jesus abandonasse a sua submissão à vontade do Pai e vivesse de modo arbitrário. Satanás o incitou a usar seu poder divino já que era Filho de Deus para fins próprios. Outra proposta semelhante ocorreu na Cruz quando os soldados, influenciados por Satanás, propuseram a Jesus que descesse da Cruz: ‘‘Se és Filho de Deus...’’ (Mt 27.40).

Ora se Jesus usasse seu poder divino, que ele mesmo outrora havia renunciado (se esvaziado) ao assumir a forma humana, ele anularia toda a obra de Deus aqui na terra. Fato é que Jesus sempre se manteve fiel ao seu acordo eterno de salvar pecadores e nada iria faze-lo romper. Por causa da fidelidade de Jesus à vontade do Pai, alguns soldados reconheceram que de fato Jesus era o Filho de Deus (Mt 27.54) e também hoje podemos encontrar salvação eterna.

A resposta de Jesus à Satanás ensina aos súditos do Reino de Deus a viverem nesta terra não em função dos desejos deste mundo, do seu príncipe e de seus próprios desejos pecaminosos, mas buscando satisfação no cumprimento da vontade do Pai. Como o próprio Jesus nos ensinou, a vontade do Pai está claramente em sua Palavra escrita e inspirada que a usou para responder a Satanás.

O desafio para sua vida é conhece-la e vive-la. Paulo chamou a atenção dos cristãos em Éfeso a “...vede prudentemente como andais, não como néscios, e sim como sábios, remindo o tempo, porque os dias são maus. Por esta razão, não vos torneis insensatos, mas procurai compreender qual a vontade do Senhor” (Ef 5.15-17). É a Palavra de Deus que norteia o súdito do Reino tanto para resistir às tentações como também a tomar decisões sadias.

Dê graças a Deus porque a vontade revelada está em sua língua portuguesa. Agora você apenas precisa compreende-la e obedece-la como Jesus fez. Somente considerando a vontade de Deus antes de tomar decisões é que seus passos seguirão a um rumo vitorioso, sempre dentro da vontade de Deus, mas à parte dela, você segue para a perdição ou à uma vida cristã medíocre.

Também esta cena nos conduz a vivermos em eterna gratidão a Jesus por ter preferido à vontade do Pai em detrimento de ceder às tentações de Satanás que queria frustrar o plano eterno da Trindade prometido desde Gn 3.15. Assim, foi fiel até a morte e morte de Cruz garantindo salvação para o homem pecador.

Também, a resistência de Jesus em não transformar pedras em pães nos ensina que Deus sempre cuida dos seus filhos. Ele provê o necessário no tempo certo! E por isso não adianta colocar a “carroça na frente dos bois” e viver precipitadamente como néscio (isto é loucura, tolice).

Não é porque Deus envia sofrimentos para vida dos seus que ele não está providenciando o livramento ou deixando de cuidar da melhor forma dos seus filhos. Deus sempre faz o que é o melhor (puramente bom)! Simplesmente, Jesus confiou em Deus porque Deus é fiel e estava cumprindo com seu plano eterno todo bom na vida do Filho e da mesma forma cumpre em sua vida! Apenas confie e não “transforme pedras e pães”.

Tibério Bezerra


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