sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Pecado, vergonha – Transparência, aproximação




Em Gn 2.25 encontramos: ‘‘Ora, um e outro, o homem e sua mulher, estavam nus e não se envergonhavam.’’

A nudez antes do pecado não era problema, pelo contrário, refletia transparência e intimidade no primeiro casal. Nenhum tinha o que esconder do outro. Havia completa e profunda cumplicidade!

Uma das importâncias deste versículo é mostrar o quanto o pecado acarretou na perda dessa comunhão singular no casamento. Logo depois inicia o capítulo 3 e o versículo 7 faz um contraponto com 2.25.

Depois que pecaram, seus olhos foram abertos e perceberam a nudez um do outro e se envergonharam significando a perda da inocência, da transparência, da intimidade sadia. Eles ‘‘fugiram’’ um do outro ao coserem folhas de figueira e fazerem cintas para si! Fizeram questão de esconder suas partes íntimas, de não mais viver como antes em intimidade e sinceridade.

Mas fico pensando hoje: se o pecado quebrou aquilo que não era para ter sido quebrado, significa, obviamente, que o casal saudável busca ser o mais transparente possível no seu relacionamento. Não ter nada a esconder quando o assunto envolve o casal! Isto implica em lutar contra a natureza pecaminosa que desperta uma vida de isolacionismo, silêncio e fuga por causa da vergonha do próximo. Vergonha de se “abrir”, de “contar”, de “conversar” sobre tudo que envolve o casal, inclusive pensamentos pecaminosos, de fazer sexo, etc.

Essa é uma questão que deve ser bem refletida com sensatez e perseverança entre o casal! Diria que isto é uma questão de maturidade, cumplicidade e intimidade que não nasce de um dia para o outro e que exige disciplina! Mas é conquistada através do longo percurso de uma vida a dois. O casal bem-sucedido é consciente de que isto não é fácil, mas é essencial. Ora, eles foram unidos, colados, soldados como se solda duas chapas de ferro, de modo que se uma esquenta, consequentemente, a outra sofrerá o calor da outra.

Quando não há a busca por esta cumplicidade, o outro sofre por causa do silêncio e o que esconde, também por causa da vergonha e medo! Naturalmente repercutirá num distanciamento entre o casal e possivelmente em rompimento matrimonial. Será que vale a pena fazer o casamento sofrer por causa de vergonha e medo de serem sincero e transparente um com outro? Lógico que não!

Alguém poderia dizer que seria loucura ser sincero com o cônjuge quando o assunto envolve o relacionamento conjugal! Bem eu diria que é no mínimo prudência e sensatez! Imagino que existem muitos casamentos rompidos causados pela falta de transparência. Pense num marido que esconde algo de sua esposa, mas não deveria, antes, deveria ser transparente e compartilhar! Mas ele reluta em "se abrir" por vergonha e medo da reação dela ou até mesmo daquilo romper o casamento! Bem, este homem começará a tomar muitas decisões a partir disto e todas elas serão, logicamente, escondidas de sua esposa porque a base de sua vida é o segredo! E aonde isto vai levar? Exatamente ao medo que ele tinha no início, o da separação do casal.

Um e o outro precisam ser maduros quando o assunto for transparência na expressão de pensamentos e sentimentos. Deve existir equilíbrio, obviamente, porque às vezes o outro não está preparado para receber tudo e nem de uma vez. Por “equilíbrio” não entenda “esconder”, mas a atitude de revelar de modo correto e no tempo certo. De modo algum a transparência pode ser ausente no casamento, senão, o que seria uma só carne, senão a busca por uma proximidade maior com aquele que aceitei como cônjuge até a morte? E será que há proximidade quando há segredos?

Fato é que a transparência no casamento não deveria causar vergonha por quem a expressa e nem rejeição do outro por aquele que atenta, pois o casal é uma só carne. Mas lembre-se, o pecado causa vergonha, porém a transparência, aproximação. E se acontece esta última atitude, a transparência, então, a aceitação do outro através de um abraço, de um beijo e também da verbalização do “Eu te perdoou!” (se houve algum pecado) vence o pecado, a vergonha some e a intimidade de 2.25 ressurge! O casal volta a ficar “nu” sem vergonha um do outro e a felicidade entre marido e mulher se torna real.

Como anda sua intimidade conjugal? A transparência um com o outro? Você tem encoberto algo do seu cônjuge? O que você quer falar pra ele? Por que não fala? O que te impede? Vale a pena esconder e esfriar o casamento? Como anda o sexo? Há privações egoístas? Há vergonha? Medo?

Tibério Bezerra


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