segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Visão 4D no portal dos céus

A Wikipédia informa que o ‘‘espaço tridimensional’’ é aquele que "pode ser definido como tendo 3 dimensões: altura, profundidade e largura." Este tipo de realidade provoca uma sensação no expectador de que a imagem está saindo de uma tela. Pinturas em alto relevo, filmes em 3D, etc. são exemplos de realidades tridimensionais.

As imagens em 3D são um grande avanço tecnológico porque denota mais realidade, interação e perspicácia. A visão 3D possibilita ao expectador analisar a imagem num giro de 360° podendo observar todos os ângulos possíveis.

João Batista, em Mt 3.2, no entanto, nos revela outra visão ainda mais aguçada e completa, a 4D: “Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus.” Deus não olha apenas a aparência exterior, antes, sua visão penetra até o coração. A falta de um espírito arrependido foi a causa da condenação dos fariseus, Mt 3.7-10: “Mas, vendo ele muitos dos fariseus e dos saduceus que vinham ao seu batismo, disse-lhes: Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira vindoura? Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento, e não queirais dizer dentro de vós mesmos: Temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que mesmo destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão. E já está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois que não produz bom fruto, é cortada e lançada no fogo.”

O grande alerta de João é que para entrar no Reino dos Céus, o pecador tem que passar primeiro pela visão 4D do Senhor. Por isso, é urgente a necessidade de entendimento do significado de arrependimento. Na explicação de John Piper “Arrependimento significa experimentar uma mudança na mente, para que possamos ver Deus como verdadeiro, belo e digno de todo o nosso louvor e obediência.”

Se arrependimento fosse apenas mudanças de atitudes, uma simples visão 3D seria o bastante no portal dos céus. Porém, a palavra arrependimento literalmente significa uma mudança radical na sua mente que resulta necessariamente em respectiva mudança radical de vida. É um rompimento da velha vida e o começo de uma nova guiada pelo Espírito Santo. Se antes fazia, hoje não mais. O ponto aqui é que a mudança exterior necessariamente parte da mente renovada do pecador.

Isto leva ‘‘o pecador a pensar de modo correto a respeito de si mesmo, do pecado e de Deus’’ (Kevin DeYoung). O pecador arrependido não pensa mais que é o centro do universo e que tudo gira em torno do seu prazer egocêntrico. O pecador arrependido que não era sensível ao pecado, agora, assume naturalmente suas práticas pecaminosas contra Deus e contra seu próximo. O pecador arrependido que desprezava a Deus, agora, é grato por ter enviado seu Filho para tomar seu lugar na Cruz e não consegue mais viver com pecado em sua vida porque sabe que isto quebra sua comunhão com seu Salvador.

O verdadeiro arrependimento muda as percepções (sentimentos), disposições e propósitos do pecador. O pecador morto não consegue sentir, mas quando recebe vida, passar a perceber a necessidade do próximo e, ao se entristecer com a situação dele, age para supri-las. Seu propósito é satisfazer Aquele que o arregimentou e não mais a si próprio.

Infelizmente, não são poucos que barateiam a graça de Cristo por pensar que se Cristo morreu pelos pecados, então, agora há liberdade para pecar mais ainda, porque não há mais condenação! Será que existe pensamento mais diabólico de uma mente destituída do arrependimento genuíno? Paulo adverte: ‘‘Permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais abundante? De modo nenhum! Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos’’ (Rm 6.1-2a)? ‘‘Se não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis’’ (Lc 13.5).

Cuidado com o remorso que é apenas uma inquietação da mente, e não uma mudança radical da mente e ação. O remorso não conduz o homem a Deus. O arrependimento sim. O remorso não dirige louvores a Deus por quem ele é. O arrependimento desvenda os olhos para perceber a grandeza do Senhor. O remorso prende o homem no pecado, o arrependimento liberta-o.

Portanto, João nos convoca ao arrependimento e não a um simples choro amargo produzido por uma consciência pesada que não leva a mudar, mas a continuar no pecado, lamentando o pecado, sem disposição de abandona-lo.

O crente arrependido honra a Deus com sua vida de modo 4D, única maneira de ter o reino do céus. Se esta é a visão do reino dos céus, não pode ser diferente da visão da igreja. A visão 4D certamente em última instância, apenas Deus possuí. Mas como João fez, a igreja também pode fazer. A igreja deve julgar as obras de cada membro! Havendo pecado e inexistindo a disposição de arrependimento, exclusão é o próximo passo. Infelizmente, é possível que existam igrejas medrosas em enxugar seus rols de membros e acabam sacrificando a disciplina bíblica por coadunar com o pecado. Mas isto é a desgraça da igreja! A igreja tem que exigir de cada membro o arrependimento genuíno, senão, não é bem-vindo. Em contrapartida, se houver arrependimento num membro caído, a igreja deve se alegrar, pois há festa nos céus, e cuidar da restauração dele.

Que nós como indivíduo e igreja busquemos e vivamos sempre o arrependimento genuíno na perspectiva 4D.

Tibério Bezerra


2 comentários:

  1. Arrependimento é METANOIA esse sim é visível no comportamento nas atitudes é o ANTÔNIMO de REMORSO.

    Excelente texto Pr um abraço

    Pr Lenilson Santos

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    1. Obrigado, Pastor, por sua participação. Orando por você e sua família.

      Graças a Deus por Jesus Cristo que creditou em sua conta cada um de nossos pecados. E confiados nele, podemos nos arrepender das mazelas dos nossos corações.

      Abraços.

      Tibério Bezerra

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