sábado, 8 de outubro de 2016

Jesus, o Nazareno. E você?


Leia Mt 2.19-23:
 

Mas tendo morrido Herodes, eis que um anjo do Senhor apareceu em sonho a José no Egito, dizendo: Levanta-te, toma o menino e sua mãe e vai para a terra de Israel; porque já morreram os que procuravam a morte do menino. Então ele se levantou, tomou o menino e sua mãe e foi para a terra de Israel. Ouvindo, porém, que Arquelau reinava na Judéia em lugar de seu pai Herodes, temeu ir para lá; mas avisado em sonho por divina revelação, retirou-se para as regiões da Galiléia, e foi habitar numa cidade chamada Nazaré; para que se cumprisse o que fora dito pelos profetas: Ele será chamado nazareno.
 
Mateus encerra a primeira seção do seu evangelho. O teor nos dois capítulos é de humilhação. Na verdade, esta foi uma marca Messiânica destacada por Mateus desde o nascimento até a morte do Messias.

Contrariando todas as expectativas messiânicas do povo judeu, o Messias nasceu em família pobre, foi rejeitado pelo seu próprio povo, desprezado pelos religiosos e perseguido pelos governantes até se tornar um refugiado da sua própria pátria. Ao final de tudo, no retorno do refúgio egípcio, não poderíamos esperar que Jerusalém estivesse com sua estrada e portal ornamentados para a entrada triunfal do Messias. Fato é que a cidade de Davi estava de portas fechadas para o Messias. Quem abriu suas portas foram os nazarenos.


Quem eram os nazarenos? Eram os mais pobres galileus e a escória da sociedade. Percebe para onde o Deus-Homem foi? Não para um palácio ou cidade suntuosa, mas à uma terra aflita, obscura e jazida nas trevas (Is 9.1-2). ‘‘Lá, Jesus não nasceu como ‘Jesus, o belemita’, com suas nuanças davídicas; mas como ‘Jesus, o nazareno’ como todo o opróbrio do escárnio.’’ (Carson)


A encarnação foi o primeiro estágio da humilhação do Deus-homem e o fato de viver em Nazaré e ser conhecido como nazareno intensificou ainda mais a sua humilhação. O desprezo messiânico não era para ser novidade nos últimos dias, pois o Antigo já previa esta realidade futurística (Sl 22.6-8,13; 69.8,20,21; Is 11.1; 49.7; 53.2,3,8; Dn 9.26), mas o povo preferiu outra glória, enquanto que os magos gentios não se incomodaram com a humildade.


Capítulos 1 e 2 deixam a marca de toda a trajetória messiânica na terra. Não seria um messias com espada e arrogância, mas o Messias seria questionado, chamado de glutão e beberrão, acusado de ser um exorcista satânico e apanhado como malfeitor pela guarda romana. Mateus destaca a humilhação de Cristo desde o nascimento até sua morte humilhante na Cruz por causa das nossas arrogâncias até à sepultura.


No entanto, não observamos relatos de alguma rejeição de Jesus ao seu caráter humilde. Ele que era o Rei! Isto fazia parte do caráter de Cristo, ser humilde não era algo forçado. E quanto a nós que somos servos? Há relatos em nossa vida de não aceitação à humilhação? Momentos que preferimos brigar a calar humildemente? Situações de extrema arrogância, quando o que se esperaria de um servo de Cristo seria uma atitude de desprendimento, amor e humilhação? Lembre-se, ‘‘Bem-aventurado os humildes [pobres] de espírito, porque deles é o reino do céus’’ (Mt 5.3).


O Deus-homem não julgou como usurpação o ser igual a Deus (Fp 2.6) e nós, criaturas, usurpamos ser algo? Deus quis ser chamado de Nazareno e não de Belemita. E do que queremos ser chamados? Tentaram ofender a Igreja Primitiva rotulando-a de a seita dos nazarenos (At 24.5), mas isto era privilégio para Paulo, porque seu Mestre sabia que o Pai tudo confiara às suas mãos, e que ele viera de Deus e voltava para Deus, mas se levantou na última Ceia pegou uma vasilha com água e passou a lavar os pés dos discípulos que não queriam se humilhar (Jo 13.3-5). Paulo se alegrava por sofrer afrontas em nome do Nazareno, pois era seu exemplo de humilhação.


Jesus foi chamado de nazareno porque era assim que ele seria chamado, não por ser o menor, mas por ser o maior. As humilhações que sofreu nos eventos do seu nascimento não diminuiu em nada a sua magnífica glória, antes, a confirmou e a terra de Nazaré, que era a mais desprezada, recebeu o Homem mais desprezado e, no entanto, foi a que teve primeiramente o maior privilégio de ver a verdadeira Luz (Is 9.2).


A passagem de Mateus nos convoca a meditar mais sobre a humildade de Jesus e a imita-la. Humildade não é sinônimo de fraqueza ou pobreza, ora, Jesus é o Rei dos reis! Quando Jesus voltou do Egito, o texto deixa claro que a justiça Divina havia sido feita aqui na terra com quem perseguia a família de Jesus - eles morreram. Mas humildade é saber qual é a sua identidade e considerar o seu próximo como uma pessoa necessitada da graça de Deus e falar e demonstrar esta graça para ele. Mas a falta de humildade é uma valorização distorcida de si mesmo e do próximo. Observamos em Herodes a falta de humildade e na missão de Jesus, humildade: ele salvará o seu povo dos pecados deles (Mt 1.21b).


Somos chamados por Deus para a humildade, porque somos da seita dos nazarenos, somos cristãos, somos discípulos de Jesus Cristo. A soberba precede à ruína (Pv 18.12) e somente os incrédulos é que serão arruinados em suas soberbas. Cristo venceu e somos vitoriosos para sermos humildes. Admira-me se há nazarenos orgulhosos! Que Deus nos livre disto e nos ajude a vivermos a humildade em qualquer relacionamento, confiando que não há atitude e estilo de vida mais digno e superior, pois assim é e procedeu o nosso Cristo, Deus-Homem, Emanuel, Jesus, pois assim é o reino dos céus, o qual herdamos.


Tibério Bezerra

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