domingo, 11 de setembro de 2016

Despojos sutis

Em Gn 14, Abrão guerreia para libertar seu sobrinho Ló. Com 318 homens, conseguiu resgatá-lo, bem como todo o povo e bens de Sodoma, cidade de Ló. Deste episódio, podemos tirar duas lições.

Logo após à conquista, Melquisedeque, sacerdote, o abençoou: Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, que possui os céus e a terra; e bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus adversários nas tuas mãos. Abrão poderia ter dito: Ué?! Quem derrotou os adversários fui e não Deus!

Mas a resposta de Abrão não foi esta e nem foi palavras. Foi uma ação que revelou o seu coração cheio de temor ao Senhor. Um temor que reconheceu a santidade de Deus e ao mesmo tempo a sua infinita bondade em lhe deu a vitória. Um temor que levou Abrão a se submeter reverentemente ao senhorio de Deus e reconhecer que ele é quem tem todo poder, pois possui os céus e a terra.

Um temor que conduziu Abrão a ter uma atitude de adoração, de dependência, de submissão, de esperança, de alegria, de voluntariedade - ele devolveu o dízimo do melhor (Hb 7.4). Se o seu coração não temesse a Deus, ele não teria devolvido o dízimo por pensar que fora seu braço que havia lhe dado a vitória, ou pior, poderia ter tirado 10% dos piores despojos.

Os despojos são os bens do inimigo que se conquistam numa guerra. Perceba que muita coisa ficaria danificada por causa da guerra, mas mesmo danificada haveria algum valor. Mas os 10% que Abrão tirou foi de tudo não danificado, isto é, do melhor.

Essa é a primeira lição que tiramos: Porque não tememos a Deus, não devolveremos nada pro Senhor! Porque O tememos, devolveremos só o melhor com voluntariedade! O dízimo é uma questão se o nosso coração está alinhado ou não ao temor do Senhor. Não é uma questão de quantidade de posses. Os crentes da Macedônia e Acaia são bons exemplos de profunda pobreza e superabundante generosidade (veja II Co 8 -9).

Na sequência, observamos a falta de apego às coisas materiais. Esta atitude de ser apegado às coisas materiais não identificamos no coração de Abrão (Gn 14.21-24).

O rei de Sodoma pediu, sagazmente, apenas as pessoas. Porém Abrão, percebendo sua astúcia, (pois poderia dizer a todos que Abrão enriqueceu não por causa de Deus, mas devido à ‘‘generosidade’’ do rei de Sodoma), replicou e não aceitou sua oferta e devolveu tanto o povo quanto os bens que trouxe da guerra.

A lição que destaco: Abrão tinha convicção que a vitória foi dada por Deus, que possui os céus e a terra. E porque Abrão conhecia a Deus, não haveria motivos de ser apegado às coisas materiais.

Caso contrário ele relutaria dentro de si contra a vontade de Deus e passaria a olhar para tanta riqueza material diante dele e começaria a fazer planos com elas. Não pense que não foi tentado. Mas o seu foco nAquele que possui os céus e a terra o ajudou a dizer não às tentações e pensar os planos de Deus. Quanto a isto, Paulo diz: ...analise bem a vida procurando entender a vontade do Senhor e usando bem cada oportunidade, porque os dias são maus (Ef 5.15-17).

Ante esta atitude piedosa de Abrão, digo: cuidado com o apego às coisas materiais e planos. É possível que situações semelhantes ocorram em sua vida, tanto para enriquecer, ou para não perder algum bem ou para ajudar com seus bens. Chegarão tentações para você querer enriquecer ilicitamente, se revoltar por causa de danos materiais ou fechar o coração para alguém que precisa.
O desafio que deixo é: só lembre que o Senhor possui os céus e a terra. Esta é a resposta daquele que não é apegado às coisas materiais. A mesma de Jó: o Senhor me deu, o Senhor tirou de mim (Jó 1-2).

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