sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

A Grande Comissão ou a Grande Omissão?

Os cuidados para não tornarmos a Grande Comissão na Grande Omissão
Uma análise da Grande Comissão de Ester

Só não transformamos a Grande Comissão em a Grande Omissão quando cumprimos o chamado específico de Cristo em nossa vida.

Cada pessoa tem um chamado específico e esta é a sua Grande Comissão. A negligência seria a transformação da Grande Comissão em a Grande Omissão. Aqui é uma linha muito tênue. Podemos está trabalhando na obra de Deus e ainda assim está descumprindo a Grande Comissão que Deus designou para cada um. Será mesmo que o que estás fazendo é o chamado de Deus para sua vida? Imagine que Deus te chamou para ser um agricultor só que você é um Pastor na cidade de São Paulo. A sua Grande Comissão não é esta, e sim fazer da agricultura a sua Grande Comissão, evangelizando os seus amigos, as pessoas onde vende os cerais colhidos, plantando e colhendo os seus legumes da maneira correta, respeitando as leis da natureza criadas por Deus, testemunhando para o seu próximo o modo correto de tocar a terra, etc.

Encontramos na Bíblia muitos personagens com determinadas Comissões. Aqui não cabe a inveja de olhar para a importância da Comissão de Sicrano ou Beltrano e comparar com a sua. Toda Comissão dada por Deus tem valor para a concretização do seu Plano Eterno. Entender e cumprir qual é a sua Grande Comissão é contribuir com um pouquinho para a concretização do Plano de Deus.

Vou compartilhar a Grande Comissão da rainha Ester. Para entendermos o preciso valor da sua Grande Comissão é preciso iniciar sua história em Gênesis.

Neste Livro, encontramos a narrativa da Criação e da queda do homem. Observamos os prejuízos que a desobediência de Adão e Eva trouxeram para o mundo. Mas em Gn 3.15, temos uma esperança, o plano da Promessa de Restauração da vida e destruição da morte: um Restaurador, filho de Eva, haveria de nascer e destruir o pecado. Com esta promessa, Deus deu a largada para a restauração de todas as coisas. Deus poderia ter restaurado aquela situação de uma vez só e sozinho, p. ex., ter destruído o mundo e ter criado outro. Mas para Deus 1000 anos é como 1dia e 1 dia é como 1000 anos, Deus é paciente. E outro aspecto importante é que Deus quer compartilhar com o homem o prazer de participar de sua Missão de Restauração da vida e destruição da morte, por isso, ele não faz tudo sozinho. Ele usa pessoas para a concretização do seu Grande Plano.

Adão gerou Sete e a linhagem da Promessa continuou e muitas pessoas nasceram e povoou o mundo. O pecado cada vez mais se agravou e Deus mandou o dilúvio. E preservou apenas um descendente de Sete, Noé. Sem, filho de Noé, foi escolhido por Deus para dar continuidade à Promessa de restauração do mundo. Abraão da linhagem de Sete nasceu e Deus o escolheu, prometendo que seria Pai de um grande povo e que o Prometido nasceria dele e deste povo. Isaque e Jacó descenderam dele. Este teve 12 filhos que ficaram conhecidos como as 12 tribos de Israel. Judá era uma destas tribos, era a mais especial e mais proeminente. Em Gn 49.10 Jacó o abençoa dizendo que “O cetro não se apartará de Judá, nem o bastão de entre seus pés, até que venha Siló; e a ele obedecerão os povos.”

Um pouco mais de 1000 anos se passaram. O povo de Abraão cresceu enfrentou escravidão, deserto, muitas guerras até que chegou o rei Davi, descendente de Judá. Um povo que era pequeno agora se tornou uma grande monarquia, chamada Israel. Deus fez aliança com Davi, filho de Judá, filho de Abraão, filho de Sem, de Sete, de Adão, dizendo que ele daria continuidade a linhagem messiânica e que seu filho Salomão seria o que continuaria esta linhagem. Depois de Salomão, o reino de Israel se dividiu fortemente e 10 tribos se uniram e formaram o reino de Israel e se dispuseram na parte Norte da Palestina. Enquanto que 2 tribos formaram o outro reino que teve o nome da tribo mais proeminente, Judá, na parte Sul da Palestina. Muitas guerras entre si travaram apesar de serem irmãos.

Durante o reino divido, Deus enviou muitos profetas para denunciar o pecado deles, alerta-los do castigo vindouro e também dá esperança para todos os crentes da chegada do Messias, filho de Davi, filho de Judá, que iria restaurar todas as coisas, cumprindo assim a promessa inicial de Gn 3.15 e de Gn 12.1-3 feita a Abraão. As tribos do Norte, Israel, sobreviveram apenas 200 anos e foram dominadas pela Assíria e nunca mais se tornou um reino. Deus havia anunciado esta calamidade pelos profetas e os havia chamado ao arrependimento, mas não deram ouvidos, preferiram continuar no pecado.

As duas tribos do Sul, Judá, continuaram o reinado, porém 150 anos depois da destruição de Israel pela Assíria, outro reino mais forte se levantou, a Babilônia e invadiu Judá e deportou toda a nação para a Babilônia onde ficaram 70 anos presos. Deus também havia anunciado a Judá esta calamidade, dizendo que se continuassem no pecado iria acontecer com eles o que sofreu Israel, seu irmão. Deus os chamou ao arrependimento, mas não deram ouvidos, preferiram continuar no pecado. Deus cumpriu sua promessa e Judá foi levada cativa para a Babilônia. Todas as cidades foram destruídas, inclusive, a grande Sião e o Templo de Salomão.

Ao fim de 70 anos de cativeiro, outro reino mais forte se levantou, o Medo-Persa, e destruiu a Babilônia. Ciro, o rei, ao invés de exterminar Judá, permitiu que alguns judeus retornassem para Jerusalém e voltassem a viver como nação. Isto é muito curioso, pois esta clemência não aconteceu para Israel no tempo em que a Babilônia destruiu a Assíria. Deus providenciou o retorno apenas de Judá. Então, sob o comando de Josué e Zorobabel, uma parte dos judeus retornaram para construírem o Templo que Nabucodonosor o rei da Babilônia destruiu.

Até o capítulo 6 de Esdras, nós temos a narrativa do término desta construção. Entre o capítulo 6 e o início do capítulo 7 de Esdras temos um intervalo de 50 anos. E é aqui onde a narrativa de Ester acontece.

Um novo rei da Pérsia está no comando, Assuero. Ele dominou desde os limites da Índia até à Etiópia. Os judeus que retornaram sob o comando de Ciro não eram livres porque ainda eram submissos ao império Medo-Persa. Existiam judeus na Palestina e na Babilônia. O palácio real do rei Assuero ficava na cidade de Susã.

Certa vez, o rei Assuero fez uma grande festa e passou 180 dias mostrando a glória do seu reino. Durante um grande banquete com muitos convidados mandou chamar sua mulher, a rainha Vasti, para mostrar a sua beleza exuberante. Porém ela se recusou a atender ao pedido, pelo que o rei tirou o reino dela. Ele fez um concurso de beleza para que a vencedora se tornasse rainha em lugar de Vasti.

Naquele tempo, havia um homem chamado Modercai, um judeu que havia sido deportado para o exílio babilônico. Ele vivia em Susã, na capital do império Medo-Persa. Ele criou sua prima Hadassa, que é Ester, porque era órfã de pai e mãe. Ela era muito linda e foi forçada a participar do concurso de beleza pelos conselheiros do rei. Ela passou a morar, assim como todas as concorrentes, no Palácio do rei durante o concurso que durou um pouco mais de 1 ano de preparo. Modercai alertou a jovem Ester que não declarasse que era judia durante este tempo. Chegou o tempo em que todas as concorrentes passavam em frente ao rei para que julgasse quem seria a mais bela e com quem ficaria. Quando o rei viu Ester, ele a amou mais do que todas as outras e ela achou favor e benevolência perante o rei. Ele a declarou como a rainha do seu reino.

Depois de algum tempo, Hamã foi nomeado o príncipe do rei e ordenou que todos se prostrassem perante ele, porém Mordecai não se inclinava. Hamã passou a odia-lo. Os outros servos do rei passaram a perguntar: por que você não se inclina? Ele respondeu: porque sou judeu e somente ao SENHOR devo me prostrar. Os servos disseram a Hamã o motivo. Hamã além de ficar cheio de furor contra Mordecai, começou a planejar como destruir todos os judeus, povo de Mordecai, que haviam em todo o reino de Assuero (3.5-6). Hamã fez a cabeça do rei mostrando que o povo judeu estava fazendo rebeliões contra as leis do rei porque suas leis eram diferentes e pediu que os exterminassem. O rei foi convencido e assinou o decreto de exterminação do povo judeu (3.8-11,13,14b). Este decreto foi enviado rapidamente para todas as províncias do rei, inclusive para Jerusalém. A reação do povo judeu em todo o império Medo-Persa foi de perplexidade, lamento e luto (3.15b; 4.1-3).

Muitos povos que existiram no passado, hoje não existem mais porque foram totalmente destruídos por impérios maiores, ou por acidentes naturais ou por outros motivos diversos. Um exemplo disto é o próprio reino de Israel que não voltou a ser nação depois de ser destruído. Temos outros: Os Maias (no México), os Khmer (Camboja), os harappa (região da Ásia), os Rapa Nui, os olmecas. Agora imagine a história do povo judeu. Tantas e tantas guerras enfrentadas, deslocamentos (mesopotâmia, Palestina, Egito, deserto, Babilônia), tantas divisões dentro do próprio reino (Norte e Sul), tantos reis dominaram sobre os judeus (Tiglate-Pileser, Senaqueribe, Nabucodonosor, Ciro, etc) e nenhuma destas adversidades chegaram ao ponto de exterminar a tribo de Judá.

Qual será o fim desta nação diante do decreto do rei Assuero? Será mesmo que Assuero conseguirá aniquilar ou exterminar os judeus da face da terra e os judeus será apenas história do passado no futuro?


A GRANDE COMISSÃO DE ESTER 4.6-8

A palavra comissão significa um encargo, uma incumbência, um compromisso, um dever a cumprir. Ester ficou sabendo que Mordecai estava profundamente triste e estava vestido de pano de saco e em cinzas diante do palácio da rainha Ester. Ela mandou um dos Eunucos que estava a seu serviço perguntar o que estava acontecendo. Mordecai então falou tudo o que estava aconteceu, pois ainda não tinha conhecimento, e deu uma Grande Missão para Ester (4.8): que ela fosse ter com o rei e lhe pedisse misericórdia e na sua presença lhe suplicasse pelo povo dela.

Aqui eu vejo como o plano de Deus é amplo e ao mesmo tempo específico. Toda uma história de mais de 4.000 anos agora está nas mãos de uma jovem linda mulher judia. Se ela falhar, toda uma nação seria aniquilada? A promessa de restauração do mundo de Gn 3.15 está agora em suas mãos.

A Grande Comissão de Ester era de modo indireto preparar o caminho para a Chegada do Messias enfrentando o rei Assuero. O Messias viria da tribo de Judá que agora estar sendo ameaçada de extermínio por um forte império cheio de ódio. Aos olhos humanos, uma guerra entre judeus e Medo-Persas, Judá seria esmagada como você pode esmagar uma formiga. E o que seria todas as promessas da vinda do Messias Servo Sofredor e Rei Glorioso de Isaías, da Nova Aliança de Jeremias, da chegada do Espírito Santo que iria transformar os corações de pedras do povo em corações de carne de Ezequiel 36?

A missão de Ester foi de proclamar as virtudes do Deus dos judeus. Aqui mostrando humildade ao pedir clemência e ao mesmo tempo mostrando coragem ou intrepidez ao enfrentar o rei do maior império da época. Diante do rei, ela teria a oportunidade de falar das maravilhas que o seu Deus fizera nas terras do Egito e mostrar que quem está do lado do reino de Deus é vitorioso, mas quem está do outro lado é derrotado. “Por isso, ó rei, não mexa com o meu povo, com o povo do meu Deus, pois haverá de vir o rei glorioso através dele que haverá de julgar vivo e mortos e será muito melhor que neste dia, você não seja condenado por ele, mas que receba refrigério para sua alma.”

Esta foi a Grande Comissão de Ester, e qual seria a nossa? Sem dúvida também é a mesma: “Proclamar as virtudes de Cristo.” (I Pe 2.9). Proclamar significa declarar publicamente, tornar conhecido algo que antes não era conhecido. Virtudes são excelências, méritos, qualidades. Este proclamar envolve o mandamento de “discipular” (Mt. 28.19). Não é apenas proclamar, mas é muito mais do que isto. Discipular é se relacionar com o seu próximo, instruindo-o de acordo com os ensinamentos do Senhor com o grande propósito de levar o seu próximo a ser cada vez mais semelhante a Cristo (Rm 8.28-29). Fazemos tudo isto com os dons que Deus nos deu. Cada um vai Cumprir a sua Grande Comissão de acordo com os dons que Deus lhe deu. Abandonando os seus dons, automaticamente, você abandonou a sua missão. Veja Ef 4.7-16.

É interessante no caso de Ester, que Deus usou a sua própria beleza física para que ela cumprisse a Grande Comissão dela naquela situação. Ao criar um vínculo mais íntimo com o seu rei, o primeiro passo dela era de intercessão, mas logo depois seria de falar do Messias que ela cria. Qual foi a resposta de Ester?


A GRANDE OMISSÃO DE ESTER 4.11

Quando a rainha escutou aquelas palavras, ela imediatamente mandou responder (4.11), dizendo: é sabido que qualquer homem ou mulher que entrar na presença do rei sem ser chamado, não há senão uma sentença, a de morte, salvo se o rei estender para ele o cetro de ouro para que viva; e eu, nestes trinta dias (depois que se tornou rainha), não fui chamada para entrar ao rei.

Alguns cuidados para não transformar a Grande Comissão em a Grande Omissão:
1- Medo – O medo nos deixa paralisados e omissos diante da ação. Quando era criança sentia medo do escuro e lembro-me de que ficava na cama todo encoberto com o lençol apenas com uma frestazinha espiando algum vulto, barulho ou coisa do tipo, paralisado até pegar no sono. O medo nos amedronta e nos paralisa. O medo de Ester paralisou sua atitude correta diante da sua Grande Comissão.

Quais os medos que tem transformado a sua Grande Comissão em a Grande Omissão? Medo do seu patrão? Medo do seu colega? Medo dos seus familiares? Medo do seu cônjuge?

Temos medo de perder a amizade? O emprego? A aprovação dos pais? A aprovação do cônjuge? A aprovação dos filhos? Temos medo de sermos envergonhados? Temos medo de quando chegar a hora de falar ou viver o evangelho não sabermos o que falar ou como proceder?

Lembre-se de Lc 14.25-33: “Se alguém vem a mim e não aborrece a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs e ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo. E tomar a sua cruz e vim após mim... e renunciar a tudo quanto tem... não pode ser meu discípulo” Todos nós vamos ser condenados: ou pelo mundo (familiares, colegas, governo, etc.) ou por Deus. A questão é: quem é o melhor Senhor? Quem é o mais severo?

Quando sentimos medo e nos tornamos omissos no fazer, automaticamente, decidimos pelo lado do não fazer. O medo nos faz enterrar os nossos dons; o medo impede a nossa cooperação na proclamação do evangelho; o medo impede que olhemos para o nosso próximo com amor.

O verdadeiro amor lança fora todo o medo. I Jo 4.18: “No amor não existe medo; antes, o perfeito amor lança fora o medo. Ora, o medo produz tormento; logo, aquele que teme não é aperfeiçoado no amor.” Não se cumpre a Grande Comissão sem amor, logo não se cumpre a Grande Comissão com medo, mas com intrepidez, coragem e fé. Esse foi um dos grandes problemas de Timóteo que tinha apagado o espírito de coragem que havia nele.

2- Olhar apenas para o pior e não enxergar nada mais.
Ester mesmo havia declarado em sua sentença de omissão a possibilidade do rei ser benevolente. Mas a ênfase dela foi apenas no pior.

Quantas vezes olhamos apenas para a porta na cara e não enxergamos que ela pode se abrir? Quantas vezes olho apenas para o sol quente e não enxergo o caminho da sombra até a casa do vizinho? Quantas vezes olho apenas para os 10% que sai do bolso e não enxergo os 90% que ficam? Quantas vezes fico olhando para os R$ 100,00 que dei de oferta para aquele evangelista e não enxergo que sua esposa está com câncer no útero? Para quais serras estás olhando? Pois bem, olhe para os vários caminhos que existem ao redor dela para chegar ao outro lado.

3- Querer facilidades para realizar a Grande Comissão.
No final do seu discurso de omissão, ela declarou: “ainda não fui chamada para entrar na presença do rei.”  ISTO NÃO IMPORTA! Se ele te chamou ou não. Eu estou mandando você ir, quer seja fácil ou não, quer tenha algum contato ou não, quer ele tenha lhe chamado ou não.

Fico imaginando quantas almas estão chamando o cristão para nós irmos lá cumprir a Grande Comissão. Na verdade, não há nenhuma, precisamos ir até elas, pois elas mesmas querem as trevas. Fico imaginando quantos crentes estão esperando todos os recursos para começar a proclamar as virtudes de Deus para seus familiares, vizinhos. Fico imaginando quantos crentes estão esperando que seus patrões aumentem seus salários para que aí sim, começarem a contribuir com alegria. Fico imaginando quantos crentes estão esperando o tempo parar para colocarem seus joelhos no chão para orar, interceder pela conversão de almas e pelo trabalho de missionários.

4- Egoísmo
Faltou em Ester voluntariedade; e amor para com o próximo. Ela pensou só em si. Quantas vezes esqueço que aquela pessoa que vejo todos os dias no trabalho está indo para o inferno e não faço nada por ela, pelo contrário, dou mal testemunho me corrompendo no trabalho? Quantas vezes penso em gastar o meu tempo somente comigo e minha família, mas não o invisto em outras pessoas proclamando as virtudes de Cristo?

5- Não entender o Plano de Deus em sua vida;
Ester não entendeu que Deus a queria ali naquele momento e naquelas circunstâncias. Como entender o Plano específico de Deus para sua vida? Sugiro que comece descobrindo os dons que Deus te deu. Em que família ele te colocou? Em que região em te colocou? Em que trabalho ele te colocou? Em que igreja ele te colocou? Quais vizinhos que ele colocou em sua vida? Agora proclame as virtudes de Cristo de acordo com o seu dom para cada pessoa que está no seu contexto.
E quanto as pessoas lá da China e do Japão? Sugiro que ore por elas, se seu chamado não é pra ir até lá. Mande dinheiro para elas. Ore por missionários e evangelistas para lá.

6- Enterrar as oportunidades que Deus lhe dá;
Ester preferiria ter ficado sem saber daquela situação para ficar ilesa e não ser constrangida ou colocada no canto da parede para agir. Ela estava deixando aquela oportunidade singular deslizar pelo ralo.

Alguns que se dizem cristãos prefeririam ter nascido sem olhos e ouvidos que são os sentidos que recebem informações para não serem desafiados a agir em prol do Reino de Deus, para não ouvir qual seja a sua Grande Comissão.

Quando você escuta um relatório missionário pedindo sua ajuda financeira, você preferiria não ter vindo ao culto exatamente naquele dia? Mas Jesus está lhe dizendo para você deve ajudar, compartilhar o pouco que tem com aquele irmão. Animá-lo, etc.

O que falar das tantas pessoas que vi hoje e não evangelizei. O que falar daquelas pessoas que me sentei ao seu lado por minutos e horas e me levantei e não disse uma palavra do amor de Cristo?


A GRANDE REAÇÃO DE MORDECAI 4.13-14

Mordecai ao escutar sua resposta, se irou contra Ester e foi bastante incisivo em seu discurso final de convencimento da Grande Comissão dela (4.13). Ela estava querendo preservar a sua vida ao invés de cumprir sua Grande Missão.

Mordecai lembrou a ela: “se você quer dá uma de esperta achando que vai se sair impune desta situação, pois saiba que se fores, morrerás e se não fores morrerás também.” A sua escolha não é entre: morrer ou não morrer. A sua escolha é: por quem vou morrer? Morrerei por mim? Ou morrerei por Deus? Morri porque fui omissa? Ou morri porque não me calei? Morri por medo? Ou morri por amor ao meu Deus? Morri porque satisfiz a minha vontade ou por ter satisfeito a vontade de Deus?

Sua decisão revelará o que o seu coração mais ama, revelará o que seu coração acha o que realmente vale a pena nesta vida. Será mesmo que cumprir a Grande Missão de Deus vale mesmo a pena?

Cumprir a Grande Comissão de Deus em nossa vida tem um custo muito elevado. Em Lc 14.25-33, Jesus fala que aqueles que não aborrecerem seus familiares e amigos, sua própria vida, está disposto a morrer, e se desprender ou renunciar a tudo quanto tem, não pode ser meu discípulo, não pode cumprir a Grande Comissão.

O que faltou naquele momento na vida de Ester foi exatamente isto: amar menos a si mesmo e abandonar o medo de morrer. Ela estava calculando o custo errado, achando que mais vale a pena preservar a sua vida do que entrega-la para o matadouro. Mais vale a pena ser omissa e manter-se viva do que cumprir a missão e morrer logo depois. Ela pensou: “Melhor é 1 passarinho na mão do dois voando, isto é, melhor é eu preservar minha vida do que perder a minha e ainda a do meu povo. Deixa que morram só.”

Só que Jesus disse em Jo 12.25: “Quem ama a sua vida perde-a; mas aquele que odeia a sua vida neste mundo preservá-la-á para a vida eterna.” Só podemos cumprir a nossa Grande Comissão se formos realmente discípulos de Jesus, se agirmos como ele agiu. Ele entregou sua vida para que tivéssemos vida, e por que irei preservar a minha vida? Ele disse que se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós outros. Tertuliano disse: “O sangue dos mártires é a semente da igreja.” Não podemos ter medo de afrontas ou ameças.

Mordecai dentro do seu discurso tenta convencer Ester mostrando três verdades (v. 14).
1- Não compensa se calar, então, fales e não te cales.
“Deus te colocou nesta situação não para ficar calada, mas para falar.” E não é diferente de nós. Onde Deus nos colocar, temos que falar. Temos que viver o evangelho. Temos que proclamar, testemunhar. Se nos omitimos achando que vai compensar, estamos apenas calculando errado. Foi assim o mandamento de Cristo para Paulo quando estava em Corinto (18.9). Jesus já havia alertando seus discípulos que quem fala ou capacita para falar é o Espírito Santo (Mt 10.19-20).

2- Os planos de Deus não vão ser frustrados.
“Deus vai levantar auxílio para o povo dele de outro lugar.” Mordecai estava exercendo uma fé singular. Certamente era um judeu piedoso e estava se lembrando das promessas do SENHOR feitas ao seu povo. Estava se lembrando do Messias. Então, pensou consigo mesmo: “Não é possível que vamos ser aniquilados aqui! E o Messias?”

Lembra quando o rei da Assíria veio sequestrar o rei Ezequias e o profeta Isaías disse que não se rendesse porque o Senhor já havia preparado a vitória? Deus levantou outro reino e matou mais de 180 mil pessoas. Deus levantou um inimigo de Judá para livrar Judá de outro inimigo. Esta é uma grande prova de Deus não esquece do seu plano. Sem dúvidas, se Ester tivesse falhando em sua missão, ela teria perdido o prazer de cooperar no Plano de Deus e Deus certamente iria cumprir seu plano através de outra pessoa. O ponto é que temos que ter a mesma convicção de Mordecai e de Jó: “Bem sei que tudo podes e nenhum dos teus planos podem ser frustrados.” (42.2)

É bom, irmãos, cumprir a Grande Comissão que Deus nos dá porque temos uma confiança: seremos vitoriosos de um modo ou de outro. O que o Senhor requer de nós é simples fidelidade. Têm pessoas que depositam sua “fés” em pedaços de madeira, outros explodem suas vidas por uma fé falsa, etc. e por que nós que conhecemos o Deus vivo vamos perder a fé, temer, olhar para qualquer coisa senão para Deus, descumprir a nossa missão, tornar a nossa Grande Comissão em a Grande omissão?

Essa foi a mensagem de Isaías 40: “Vocês não conhecem quem é Deus? Aquele que controla tudo, que as nações perante ele são como um pingo que cai num balde, a palma de sua mão mede de uma extremidade da terra à outra, a concha de sua mão armazena todas as águas terra?”

3- É um privilégio participar da obra de Deus seja qual for
Faltou em Ester o conhecimento desta verdade. Mordecai disse: “quem sabe se para conjuntura como esta é que forte elevada a rainha?” Conjuntura é uma circunstância coloca na vida de uma pessoa para que tome a decisão correta. Se Deus nos incluiu no seu plano, logo é um privilégio participar das conjunturas que fazem parte do Plano. Já pensou se você não existisse? Mas Deus te criou. Ele te criou para te usar em sua obra. Ele nos coloca em situações distintas na vida para cumprirmos a nossa missão e não para nos desanimar, para enxergamos privilégio e não desprivilegio.

Ester deveria ter transformado a sua posição num meio para fazer a obra de Deus. O seu serviço de rainha somente seria aceito diante de Deus se o cumprisse de acordo com a vontade de Deus. O nosso serviço aqui na terra não é o fim, mas um meio de cumprirmos o fim real. Temos que transformar a nossa família, o nosso trabalho, a nossa posição de cidadão, a nossa Igreja em a Grande Comissão. Temos que saber o que Deus quer de nós na nossa família, no nosso trabalho, na comunidade que ele nos colocou. Pense: por que Ele me deu o que me deu e por que Ele me colocou onde me colocou? A reposta é a sua Grande Comissão. Então cabe a você cumpri-la cabalmente e não relaxadamente, porque maldito o que faz a obra do Senhor relaxadamente. Cada pessoa tem um propósito ou uma Grande Comissão nesta vida. Cabe a cada pessoa conhece-lo e cumpri-lo.


A GRANDE DECISÃO DE ESTER – 4.15-17

Mordecai convence a rainha Ester. Ela tomou a decisão correta de abraçar e cumprir a sua Grande Comissão. Ela reconheceu que sozinha não poderia fazer, não teria forças, mas fez um pedido a Mordecai que revelou que sua confiança estava em Deus e não mais nela mesma. Ela pediu que todos os judeus se unissem e jejuassem por ela. Agora ela está disposta a morrer. O medo de antes se tornou em coragem.

Quando reconhecemos que Deus nos deu uma Grande Comissão, devemos reconhecer automaticamente que ele é quem nos ajuda a realizarmos, por isso, não precisa temer. Ele é a força do crente. Ele é quem capacita, dá sabedoria. Além de Deus planejar, ele providencia tudo o que é necessário para que seu plano se concretize através de nossas vidas fracas, debilitadas e limitadas.

Nunca é tarde para começar ou recomeçar. A decisão sábia sempre é se arrepender, se converter. Ester aproveitou bem a oportunidade que Deus estava lhe dando de servi-lo para que seu plano, da chegada do Messias, se cumprisse. Deus queria usa-la nesta Grande Comissão. Certamente, se se omitisse, o Senhor levantaria outro meio da nação Judá não ser aniquilada, porque os planos do Senhor nunca são frustrados.

Quais foram os resultados da fidelidade de Ester na sua Grande Comissão? Os inimigos foram destruídos. Hamã foi enforcado (7.1-10) e os judeus de todas as províncias ao invés de serem aniquilados mataram os queriam lhes matar (9.16). A rainha Ester passou a ter forte influência no império Medo-Persa (9.20-32). Ela com toda autoridade instituiu a festa do purim que foi a comemoração dos judeus por terem tido sossego dos seus inimigos (9.20-22). Sem dúvidas o Proto-Evangelho foi disseminado no meio daquele contexto.

Mordecai foi exaltado pelo rei Assuero. E é provável que o rei Assuero tenha se convertido ao Deus verdadeiro. A história da redenção continuou. A esperança da chegada do Messias não foi frustrada, pelo contrário, foi fortalecida e confirmada. Depois que esta trama acabou, alguns anos se passaram e outro rei se levantou dentro do reino Medo-Persa, o rei Artaxerxes. Ele enviou Esdras a Jerusalém para que pregasse a Palavra e fizesse uma reforma espiritual no meio do povo (Esdras 7-10). E alguns anos mais tarde, Neemias foi enviado pelo rei Artarxerxes para ir à Jerusalém reconstruir os muros da cidade que estavam derribados. (Livro de Neemias).

Depois, temos os 400 anos de silêncio e iniciamos o Novo Testamento com João Batista (o último profeta do Antigo Testamento) preparando a chegada do Messias. Cristo é batizado, prega o Evangelho e providencia a salvação para todo o que crê na Cruz do Calvário. Depois da ressureição, ele dá a ordem para todos irem e cumprirem a Grande Comissão de discipular pessoas em todo o mundo. E quando todos os crentes da Igreja se converterem, ele virá para arrebatar a sua Igreja. A narrativa de Atos conta como a Igreja Primitiva se saiu nesta missão.

E hoje? Estamos dando continuidade ao plano de Deus, estamos levando o Evangelho e discipulando pessoas? Estamos ajudando a Cumprir o Plano de Deus? Ou estamos optando em transformar a nossa Grande Comissão em a Grande Omissão? Deus te chamou para que você seja uma bênção para o mundo, você tem sido? Ou você está desprezando o chamado de Deus? Lembre-se: Só não transformamos a Grande Comissão em a Grande Omissão quando cumprimos o chamado específico de Cristo em nossa vida.

A nossa Grande Comissão hoje é pregar o evangelho para que todos os eleitos se convertam. Qual tem sido a sua atitude? Vai abraçar a sua Grande Comissão sendo fiel a Deus com os dons que ele te deu, com as capacidades que ele te deu, com os recursos que ele te deu, com as posições que ele te deu, no lugar que te colocou? Ou vai ser negligente e inventar um monte de desculpas tornando a sua Grande Comissão em a Grande Omissão?

Arrependa-se e recomece de onde parou. Se nunca começou, arrependa-se e comece agora a discipular pessoas porque esta é a sua Grande Comissão.

Que Deus nos ajude a cumprirmos a nossa Grande Comissão.

Nenhum comentário:

Postar um comentário