segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Cultuando a Deus

Práticas religiosas com motivações erradas resultam em uma religião legalista, em uma igreja fria espiritualmente. Gera uma igreja ativa, na verdade muito ativa, e que chama a atenção de muitos como os grandes filmes de Hollywood. Mas que é cheia de hipócritas. Não é uma igreja, e sim um covil de atores que quando a máscara cair, toda aquela agitação parará, toda aquela fama acabará e será revelado o que estava em oculto. E nós, como Igreja, queremos evitar isto em nossos cultos, em nossas vidas.

Mas também, motivações corretas com práticas religiosas erradas nos levam a uma ação que não agrada a Deus. Assim, tanto a motivação deve ser correta como também a prática para se chegar àquela motivação deve ser correta. Imagine alguém roubando dois pães na padaria para saciar a fome de um pedinte. Sem dúvidas, sua motivação é exemplar, porém não justifica sua má ação.

Isto lembra o caso de Abrão que mentiu contra o faraó do Egito. Sua motivação, plausível, era a sobrevivência de sua família contra a fome, mas sua maneira pecaminosa de agir para alcançar um alvo bom não agradou a Deus (infelizmente, Abrão não aprendeu e repetiu o mesmo erro nas terras de Gerar contra o rei Abimeleque).

A ideia de que os fins justificam os meios, nem sempre é aceitável diante do Senhor. A prática é o meio para se alcançar o alvo e Deus não aceita que alcancemos qualquer alvo com ações erradas, mesmo que a motivação seja a mais pura possível. Isto porque Deus não é incoerente. O que Deus requer de nós é motivação e ação corretas, intenções verdadeiras e práticas louváveis, sonhos puros e realizações coerentes, propósitos certos e alcançá-los irrepreensivelmente. A palavra motivar transmite a ideia de gerar, mover, induzir, produzir ou de operar uma determinada ação.

O texto que quero compartilhar tem por trás:
Uma belíssima motivação,
Mas um descuido na operação.
Que na conclusão,
Vemos Deus punindo com sua justa mão.

O texto é: II Sm 6.1-11

Lembre-se que a arca representava a presença de Deus no meio do povo. Ela simbolizava a propiciação para os pecados dos israelitas. O sumo sacerdote aspergia o sangue de um cordeiro imaculado sobre a arca uma vez por ano e aquilo servia para apaziguar a ira de Deus sobre o povo. Hoje não temos mais a arca e nem precisamos mais de sangues de animais, porque Jesus é a Propiciação pelos pecados do seu povo (I Jo 2.2). Ele apaziguou a ira de Deus contra nós, a Igreja, e agora podemos ter paz com Deus. A ira de Deus só pode ser apaziguada de duas maneiras, ou na Cruz de Cristo, ou no inferno. Se você ainda não confia em Cristo para sua salvação, aconselho que você considere o que Ele fez na Cruz para o maior bem daqueles que creem nele. Caso contrário, a ira de Deus só será apaziguada mandando você para o inferno, você que rejeitou a salvação em Cristo. Então, não o rejeite, mas o aceite como Senhor e Salvador.

O povo compreendia o grande significado da Arca, e o rei deles, Davi, foi busca-la movido por uma motivação exemplar. Veja I Cr 13.3. Era uma excelente motivação que refletia um rei espiritual que somente queria conduzir o povo se fosse diante da presença do Senhor, diferentemente do rei Saul que seguia tão-somente seu próprio coração. O texto de Samuel nos revela que ele estava muito empolgado para trazê-la. No verso 5 é dito que ele se alegrava diante do Senhor.

Fazia pouco tempo que o reino do Sul e do Norte fora unificado, que Jerusalém fora conquistada e tornada a base militar dos israelitas e também Davi já havia conseguido vitórias sobre os filisteus, mas faltava algo de suma importância para Davi em Jerusalém, a arca da aliança. E com toda alegria foi busca-la. Já havia mais de 20 anos que a arca na estava no meio do povo e o povo não fazia caso dela. Mas o rei Davi influenciou o povo trazê-la de volta.

Poderíamos imaginar que ele estava com a alegria de uma criança que há muito não via seu pai até que um dia o avista de longe. Seu coração passa a bater mais forte e mais rápido. E o que ela faz? Larga o brinquedo que mais ama e corre desesperadamente para dar um abraço repleto de saudades no seu pai. Davi parecia viver um momento como desta criança. Certamente seu coração pulsava de amor pelo seu Deus. Sem dúvidas sua paixão não estava nas vitórias, nem no louvor do povo, mas em Deus, em ter um ministério conduzido pelo Dono da obra. Sem sombras de dúvidas, sua motivação em buscar a arca do Senhor era irrepreensível e refletia um coração apaixonado por Deus, cheio de temor por Ele. Coração este que nós não podemos não almejar. Davi é conhecido na Bíblia como um homem segundo o coração de Deus (At 13.22). Ele O amava, sua alma ansiava pelo seu Deus (Sl 27.4). Sua confiança estava em Deus (Sl 40.1-4; Sl 27.3).

Mas algo drástico aconteceu: uma morte no meio de toda esta alegria, de toda esta paixão. Uma morte resultante de uma prática errada advinda de uma motivação santa. A prática errada foi tão simplesmente o transporte de uma caixa de madeira de dimensões aproximadas a 70x70x100cm. Duas perguntas surgem: então, qual era a maneira correta para se transportar a Arca? E se o Senhor vê o coração, por que ele não considerou a motivação correta de Davi e atenuou o caso?

Primeiro, Deus havia ensinado a maneira correta de conduzir a arca. O Tabernáculo do Senhor era móvel e de vez em quando estava se mudando de um lugar para outro. Assim, Deus ensinou como deveriam ser levados os utensílios do Tabernáculo, inclusive a arca.
1.     Deveria ser transportada pelos filhos de Coate (Nm 3.27,30-31; 4.4,15; 7.9; 4.5,20 );
2.     Usando os varais prescritos (Ex 25.15).

O erro de Davi foi leva-la num carro novo e não ter atentado para quem iria transportar. Resumindo, o erro de Davi foi não ter atentado para a lei de Deus. Ele estava tão entusiasmado que por um instante se esqueceu de um detalhe da lei do Senhor. Mas instante este que custou a vida de uma pessoa, Uzá. Não podemos dizer que Uzá era inocente e que a culpa foi só de Davi, não, na verdade Uzá deveria ter freado o rei naquela empolgação sem discernimento. Davi estava com um coração cheio de alegria pelas bênçãos que recebera do Senhor, mas sua má ação revelou que seu zelo pela arca estava destituído de entendimento, apesar que tinha a motivação correta de trazê-la para o meio do povo. Mas observamos que mesmo sendo correta, sua motivação ainda estava incompleta porque não atentou para um detalhe na Lei.

O texto de 2 Sm 6 nos revela que aquela ação foi irreverente, v.7. Sem medo podemos afirmar que aquela ocasião era um culto. Eles estavam cultuando a Deus, mas esqueceram de colocar a Palavra de Deus no centro do culto e por isso o culto oferecido por eles foi irreverente.

Isto se aplica à Igreja. Quando não fazemos isto, isto é, colocamos a Palavra de Deus no centro, nossos cultos também serão irreverentes. O Senhor quer que tenhamos zelo com entendimento ao cultuarmos. Assim, respondendo a segunda pergunta, o Senhor não considerou a motivação correta de Davi, simplesmente porque ele se esqueceu da motivação de atentar para a lei do Senhor nos detalhes, por isso sua motivação estava incompleta e consequentemente agiu erradamente.

O Senhor não quer que nos esqueçamos de nenhum de seus mandamentos, mesmo que seja aquele que julgamos menores. Mesmo entendendo assim, aquele preceito que julgamos ser tão pequeno não deixa de ser a Palavra de Deus e, portanto, deve ser obedecido. Aqui aprendemos que toda a Palavra é inspirada e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a educação na justiça. Na Bíblia não há uma parte mais ou menos inspirada, não, tudo é plena e igualmente inspirado.

Aqui aprendemos que da mesma forma que ações corretas sem motivação correta gera uma Igreja legalista, motivações corretas sem ações corretas geram uma Igreja iludida e criam-se cultos inadequados. Iludida por achar que se está fazendo o correto, mas quando na verdade, mesmo que seu propósito seja o melhor possível, sua ação está destituída do elemento principal: a Palavra de Deus. Inadequado porque não se adequou ao padrão bíblico. Tão somente colocando Sua Palavra no centro de nossa vida é que alcançaremos o propósito final de nossas vidas: agradar ao Senhor para que ele seja glorificado em nós.

Aprendemos também que tanto as nossas motivações como nossas ações devem ser guiadas pela Palavra de Deus. Ela deve ser o centro de nossos cultos, de nossa vida, nos motivando a agir corretamente. É através dela que conhecemos ao Senhor e podemos adorá-lo com mais intimidade, intensidade e fervor. Não cultuamos a Deus somente quando estamos reunidos com outros irmãos, mas a nossa vida em si deve ser um culto a Deus em qualquer lugar, veja Rm 12.1. Assim, precisamos nos apegar a sua Palavra para cultuamos a Deus com a motivação correta e da maneira correta.

Aprendemos que Deus abomina o pecado. E culto irreverente é pecado. Da mesma forma que um culto hipócrita, Deus vomita um culto onde não há verdadeira reverência. Temos que cuidar para que nossos cultos públicos sejam coerentes e reverentes, onde há razão e emoção, onde entendimento e zelo andam juntos.

Apesar do grave erro de Davi em não ter atentado para a lei do Senhor, aprendemos com ele a nos alegrarmos no Senhor. Em Fp 4.4 vemos que isto é uma ordem e não opção do crente. O cristão tem mais do que motivos para se alegrar no Senhor. Certamente a alegria de Davi era radiante naquele culto. Não era um culto monótono, sem sentido ou que estava no piloto automático. Mas era culto onde Davi envolvia sua vida, onde se lembrava dos benefícios do Senhor, onde contava as bênçãos, onde seu coração estava cheio de gratidão. Não estou justificando o erro dele com seu espírito alegre e de gratidão, não, de forma nenhuma. Mas vejo um homem sincero em sua alegria e adoração.

Isto me leva a pensar em nossos cultos públicos. Quantos cultos oferecemos ao Senhor com nossas motivações longes de Deus? Quantos cultos oferecemos ao Senhor que parecem mais um velório de descrente? (Sim, porque até em cultos fúnebres de crentes há regozijo, mas por que se alegrar com a morte de um descrente). Esta lição nos levar a refletir como temos cultuado a Deus com o nosso espírito. Se realmente adoramos em espírito e em verdade. Certamente, se estamos longe de Sua Palavra, não estamos cultuando a Deus que ele se agrade.

Aprendemos também que temos que manter a ordem na casa do Senhor. Por exemplo. Temos que cuidar de nossas crianças para louvarem a Deus, ao invés, de atrapalharem o culto. Na verdade, o perfeito louvor vem de suas bocas, de seus corações porque são inocentes, mas quando nós, pais, não ensinamos às nossas crianças o que é um culto a elas, Deus será menos glorificado em nossos cultos. Não quero, simplesmente, que elas fiquem paradas, mas que aprendam a ter motivação correta para louvarem ao Senhor, atentarem para a pregação da Palavra e que O adorem em espírito e em verdade.

Dificilmente e infelizmente presenciamos um culto onde pessoas não se levantam para ir ao banheiro, beber água, atender o telefone, etc. Não quero dizer que tais atitudes não poderiam acontecer em qualquer circunstância ou que seria um pecado mortal durante um culto, de outro modo, estaria sendo legalista. Mas eu fico me perguntando: será mesmo que é estritamente necessário aquela pessoa ir ao banheiro, beber água ou atender o telefone justamente numa hora tão especial de comunhão e adoração a Deus? Se a resposta for: não, não é necessário. Então aquela pessoa está desorganizando o culto ao Senhor, está tornando-o irreverente. Ela pode até ter saído de casa com a motivação correta de adorar a Deus, mas se age assim desnecessariamente ao longo do culto, então, é irreverência. E o que dizer de conversar na hora do culto, brincar no celular, pensar no trabalho de amanhã, no menino que ficou em casa doente, na esposa que está prostrada na cama, tirando, assim, a nossa atenção do centro do culto que é o Senhor?

Assim, simplesmente, temos que nos alegrar no Senhor com corações repletos de gratidão porque nos criou, se revelou a nós, nos deu a salvação, etc. Quanto mais conhecermos a Deus pela sua Palavra, maior será nossa motivação e alegria em adorá-lo, em ter um vida de consagração e sacrifício a Ele. Se isto não acontece, podemos preencher o espaço do prédio de decoração, colocar ou tirar instrumentos musicais num culto público, mas o culto será monótono para Deus, inadequado e legalista.

Este relato bíblico 2 Sm 6.1-11 nos levar a buscar uma vida de santidade na Palavra e basear nossa alegria nela. Isto deve alegrar o nosso coração para o adorarmos em nossos cultos particulares ou públicos. Mas que façamos isto com entendimento e zelo, com a motivação correta e a ação correta. Assim, evitaremos apresentarmos a Deus um culto inadequado, isto é, fora do padrão de Deus. Pelo contrário, O adoraremos da maneira que Ele se agradará e será glorificado.

2 comentários:

  1. Passando pela net encontrei o seu blog, estive a folhear achei-o muito bom, feito com muito bom gosto.
    Tenho um blog que gostava que conhecesse. O Peregrino E Servo.
    PS. Se desejar fazer parte dos meus amigos virtuais faça-o de forma a que eu possa encontrar o seu blog para o seguir também.
    Que haja paz e saúde no seu lar.
    Com de grandes vitórias.
    Sou António Batalha.
    http://peregrinoeservoantoniobatalha.blogspot.pt/

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    1. Olá Presbítero Antonio Batalha.
      Obrigado pelos elogios que os coloco aos pés de Jesus.
      Que Deus cuide de sua vida espiritual bem como de sua família

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