segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Não coloque Deus à prova, apenas confie


A audácia de Satanás com suas tentações não cessou. Depois de tentar Jesus a desconfiar da provisão de Deus, sugerindo que transformasse pedras em pães, agora, o leva de modo sobrenatural a Jerusalém ao topo do templo, à casa do Pai ‘‘Já que és o Filho de Deus...’’ (Mt 4.5-7).

A proposta de ‘‘atirar-te abaixo’’ do lugar onde estavam é bem sugestiva se alguém quisesse testar a fidelidade de Deus, quanto mais o próprio Filho de Deus. O Sl 91.11-12 diz: ‘‘Porque aos seus anjos dará ordens a teu respeito, para que te guardem em todos os teus caminhos. Eles te sustentarão nas suas, para não tropeçares nalguma pedra.’’ Este Salmo expressa o poder e a promessa de cuidado de Deus para com seus filhos.

Satanás, ao usar este Salmo, propôs que Jesus desconfiasse da promessa de Deus e testificasse se de fato Deus cuida ou não dele. Aqui Satanás contrapõe o sofrimento de Jesus no deserto com o cuidado de Deus descrito no Salmo e tenta conduzir Jesus a ver se de fato Deus olhava por ele naquele momento no alto da Casa do seu próprio Pai.

Na resposta de Jesus, encontramos sabedoria e confiança. Jesus não explica o Salmo, porque de fato, o Salmo expressa a promessa do cuidado fiel de Deus com seus filhos, porém, não quer dizer que seus filhos devam colocar as promessas de Deus à prova e de fato o Salmo não indica que devemos testar, pelo contrário, ensina que devemos apenas confiar em Deus. Por isso, Jesus não pulou daquele alto, porque Jesus conhecia seu Pai e confiava nele. A prova maior foi a obediência ao mandamento do Pai.

Jesus para responder a Satanás usou outro texto bíblico, Dt 6.16: ‘‘Não tentarás o Senhor...’. Este texto faz referência ao fato ocorrido em Massá, quando o povo hebreu ao atravessar o Mar Vermelho colocou Deus à prova pedindo água (Êx 17.1-7). Ali o povo desconfiou da provisão de Deus,  murmurou e colocou Deus à prova. Foi um ato de tanta incredulidade que o salmista se utilizou do ocorrido para compor poesia, que seria cantada no saltério por gerações para que os judeus não se esquecessem daquele mau exemplo (Sl 95) e também o autor de Hebreus se utilizou do fato para advertir à igreja de Cristo contra um perverso coração de incredulidade (3.7-11).

Já pensou que tanta audácia do povo hebreu? Desconfiar de Deus? Maior ainda foi o atrevimento de Satanás ao tentar fazer o próprio Filho unigênito testar o seu Pai. Mas Jesus provou mais uma vez a legitimidade da sua filiação divina, sendo confiante e obediente, enquanto que os hebreus incrédulos no deserto provaram a Deus porque desconfiavam dele. Ao invés de testar o Pai, o Filho o obedeceu ao cumprir Dt 6.17: ‘‘Diligentemente, guardarás os mandamentos do Senhor, teu Deus...’’. Porque Jesus obedeceu, “Não tentarás”, temos a prova que ele confiou na promessa do Pai escrita no Salmo 91. Jesus não foi como Tomé que queria uma prova para confiar em Jesus.

Jesus obedeceu a palavra num momento crítico, Ele não testou seu Pai. E nós? Quantas vezes estamos também num momento crítico, mas deliberadamente rejeitamos obedecer seus mandamentos e murmuramos contra Deus, colocando-o à prova? O ponto é que a desconfiança em Deus, leva-nos a murmurar da situação em que nos encontramos, a colocar Deus à prova e a esquecer dos seus mandamentos. Mas Jesus nos ensina simplesmente a confiar na sua promessa de cuidado para conosco e cumprir seus mandamentos.

Não precisamos questionar ou desconfiar da provisão de Deus, mesmo que aparentemente Deus tenha esquecido de nós como parecia tê-lo feito no deserto do Sinai e como Satanás estava sugerindo para Jesus. Na verdade, os olhos de Deus percorrem toda a terra contemplando os maus e bons e de modo algum Deus esquecerá do seu povo, mesmo que estejamos num deserto como os hebreus e Jesus. O Senhor nunca esquece de nós, o Senhor sempre cuida de nós do melhor jeito e no melhor tempo. Deus supriu as necessidades do povo no deserto ao fazer sair água da rocha e providenciar alimento sólido em ocasião oportuna diariamente. O que Deus requer de nós é que vivamos sua vontade revelada a cada instante.

Daí quando lemos uma passagem como esta criticamos: “Como pode um povo tão incrédulo que viu Deus abrindo o mar e pôde pensar que ele esqueceria de abastecê-los com água?” Tudo bem, é um questionamento correto, porém quantas vezes nós igualmente pensamos em desistir de sermos fiéis a Deus em confiança e obediência? Será que estamos muito distantes deles?

Pense, por exemplo, na sua família. Quantas vezes você olhou para os céus e murmurou contra Deus sobre seu cônjuge, filhos, pais, irmãos, etc? E quantas vezes pensou em sair de sua igreja só porque está cheia de problemas e não crê que Deus está cuidando? E no seu trabalho?

Quando vivemos assim, seremos tentados a testar a fidelidade de Deus. Quando vivemos assim, certamente, não desejaremos obedecer a Deus, exatamente porque desconfiamos de suas promessas. Perceba que um problema gera outro, é um efeito dominó de frieza espiritual, por isso o autor de hebreus trouxe um sermão tão duro para aqueles crentes contra a incredulidade.

Porém quando confiamos, enfrentaremos qualquer situação de modo diferente. Não porque teremos poder para resolver, mas porque confiamos que Deus está cuidando de nós e ainda teremos prazer em obedece-lo! Portanto, cuidado com um coração incrédulo! 

Felizes são os que conhecem a Deus, confiam nele e consequentemente o obedecem!

Tibério Bezerra